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É ou não é TDAH? — Quando Parece, Mas Não É




Nos últimos anos, o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) tem ganhado destaque nas redes sociais, em reportagens e em conversas do dia a dia. Com isso, muitas pessoas começaram a se identificar com sintomas descritos e se perguntam: “Será que tenho TDAH?”

No Brasil, estudos indicam que o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) afeta cerca de 7,6% das crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos. A prevalência também é significativa em adultos, com estimativas variando de 2% a 5%.


Mas a verdade é que muita coisa se parece com TDAH — e não é. Vamos explorar aqui algumas dessas situações comuns que confundem até mesmo profissionais e pais atentos.


1. Estresse e Ansiedade


Quando estamos ansiosos ou sobrecarregados, nosso cérebro entra em estado de alerta constante. Isso prejudica a memória, a concentração e a capacidade de organização — sintomas semelhantes aos do TDAH. Mas, nesse caso, o problema não está no funcionamento do cérebro como no TDAH, e sim na resposta emocional ao estresse.


2. Privação de Sono


Dormir mal ou pouco compromete diretamente as funções executivas do cérebro. A pessoa fica mais irritada, desatenta, impulsiva, e com dificuldade para finalizar tarefas. Isso pode parecer TDAH, mas na verdade é falta de descanso adequado.


3. Uso Excessivo de Telas


O consumo exagerado de conteúdos rápidos (como vídeos curtos e redes sociais) pode gerar uma baixa tolerância à monotonia, prejudicando o foco em tarefas que exigem mais tempo e paciência. Não é TDAH — é um cérebro superestimulado.


4. Ambientes ou Rotina Desorganizadas


Quando o ambiente ou a rotina é desorganizada, é natural que a pessoa se sinta perdida, esqueça compromissos e tenha dificuldade em manter o foco. A falta de estrutura externa pode gerar comportamentos semelhantes ao TDAH, mas a raiz do problema está na organização do cotidiano.


5. Problemas de Humor (como Depressão)


A depressão pode causar lentidão no raciocínio, desmotivação, falhas de memória e desatenção. Muitas vezes, parece TDAH, mas estamos lidando com um quadro de humor alterado, que precisa ser tratado de forma diferente.


6. Fases da Vida


Mudanças como adolescência, chegada da maternidade/paternidade, menopausa ou momentos de grande transição profissional podem trazer sintomas temporários de desorganização mental. Não são sinais de TDAH crônico, e sim reações ao contexto.


Então, quando é TDAH de verdade?


O TDAH é um transtorno neurobiológico, com sintomas que aparecem desde a infância e impactam de forma significativa várias áreas da vida: escola, trabalho, relacionamentos e autocuidado. Não é um diagnóstico baseado em uma semana ruim ou em uma fase estressante.


Por isso, o diagnóstico deve ser feito por um profissional especializado, com uma avaliação cuidadosa da história de vida e do funcionamento atual da pessoa.


Identificar o que não é TDAH é tão importante quanto reconhecer o que é. Antes de buscar um diagnóstico ou medicação, é essencial entender o contexto, cuidar da saúde mental, dormir bem, organizar a rotina e reduzir o uso de telas. Nem todo esquecimento ou distração é sinal de transtorno — às vezes, é só o nosso cérebro pedindo socorro.

 
 
 

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