O aumento nos diagnósticos de transtornos do neurodesenvolvimento: o que está por trás dos números?
- Juciely Neves
- 6 de mai. de 2025
- 2 min de leitura

Nos últimos anos, temos observado um crescimento expressivo nos diagnósticos de transtornos do neurodesenvolvimento como o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), os transtornos de aprendizagem, entre outros. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) divulgou em 2025 que 1 em cada 31 crianças de 8 anos foi diagnosticada com TEA – uma taxa surpreendente de 3,2%. No Brasil, o número de matrículas escolares de alunos com autismo aumentou 48% entre 2022 e 2023, segundo o Censo Escolar.
Mas o que explica esse aumento?
Fatores genéticos e avanços no diagnóstico
Especialistas indicam que esse crescimento não necessariamente significa que mais crianças estão desenvolvendo esses transtornos, mas sim que estamos identificando melhor os casos que sempre existiram, mas que antes passavam despercebidos. Os critérios diagnósticos foram atualizados, os profissionais estão mais capacitados e as famílias mais informadas.
Além disso, os avanços nas neurociências e na psicologia têm possibilitado avaliações mais precisas, com instrumentos específicos para diferentes faixas etárias e níveis de comprometimento.
O mundo moderno e a intensificação dos sintomas
Apesar disso, não podemos ignorar os impactos do estilo de vida atual na forma como esses transtornos se manifestam. Fatores ambientais e comportamentais não causam diretamente os transtornos (que têm base neurobiológica e genética), mas podem intensificar os sintomas, tornando-os mais visíveis.
Entre os hábitos modernos que contribuem para essa intensificação, destacam-se:
Alimentação pobre em nutrientes: dietas ricas em ultraprocessados, açúcar e corantes artificiais podem interferir no funcionamento cerebral e na regulação do humor e da atenção.
Uso excessivo de telas: a exposição prolongada a dispositivos eletrônicos desde a primeira infância pode prejudicar o desenvolvimento da linguagem, a socialização e a capacidade de concentração.
Ritmo de vida acelerado e estressante: crianças e adolescentes estão cada vez mais sobrecarregados com compromissos, pressões acadêmicas e pouca margem para o ócio criativo. Esse cenário contribui para a desregulação emocional, um sintoma comum em vários transtornos.
Diagnóstico não é rótulo — é um caminho para o cuidado
Importante lembrar que receber um diagnóstico não é motivo de medo ou vergonha. Pelo contrário, é um passo fundamental para garantir apoio especializado, adaptações escolares, orientações familiares e, principalmente, o desenvolvimento saudável da criança.
O crescimento dos diagnósticos, quando bem compreendido, representa um avanço social e científico. É sinal de que estamos aprendendo a olhar com mais atenção e empatia para as necessidades individuais de cada criança e adolescente.
Fontes e referências
CDC (2025): cdc.gov/autism
Autism Speaks (2025): autismspeaks.org
Censo Escolar 2023 – INEP
Washington Post (2025): washingtonpost.com
NY Post (2025): nypost.com



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